O Louco- O Grande Vazio



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E tudo começou como sempre começa: sonhos ou, às vezes, pesadelos..

Neste eu já não sabia mais quem eu era, não conseguia me lembrar quem eu tinha sido e carregava nas mãos minha identidade. Do meu lado apenas um grande labrador amarelo que docemente me guiava pelas ruas de uma cidade sombria e tumultuada. Uma cidade de pedras e pó.


Muito pó e cinzas de um mundo que até então estava apagado, descorado e rígido.

Percebi que era apontada pelos traunsentes na ruas, riam de mim e me olhavam com desdém.

Eu não tinha me dado conta de nada estranho e me agarrava na coleira do cachorro

Até o momento em que uma mulher " louca" passou por mim. Daquelas que fugimos com temor de que sua insanidade sincera se tornasse contagiosa

Ela falando sozinha e em voz alta. Ela gritava, ria e se lamentava

E eu pensei:


"Ah! é isso? Então é assim que as pessoas enlouquecem de fato? A dor as deixa loucas.."

E eu tive medo de enlouquecer também, ainda que não me lembrasse da razão da dor que carregava no peito. Minha memoria se esvaia assim como as cores dos meus olhos

"Quem sou eu?"

E nisso, o cão me puxa pelas ruas.. me guiando pelos perigos e desafios que para mim, estando cada vez mais fraca, ficava dificil enfrentar

Então me dei conta do que realmente estava me acontecendo ao olhar para meus pés, estava com as meias rasgadas e sujas e de chinelos. parecia uma mendiga.. eu não sabia mais na verdade quem eu era. Havia perdido meu eu e buscava uma saída para isso.

Tinha me tornado a Louca e não sabia lidar com isso.

Mas tudo ficava sustentado pela força e a fé do cão que me mostrava o caminho, para que eu me lembrasse de que eu era e não caísse no abismo do vazio da minha existência. O grande vazio em mim que pedia por um ressureição. Um novo Eu.


Pandora , a cadela que me guiava por estes labirintos urbanos me fazia perceber que eu poderia encontrar o caminho dentro de mim mesma
E então acordei e me dei conta que deveria nascer de novo. E o Louco comigo

E entre os eclipses do sol e da lua, ele nasceu e eu com ele..deixei meu eu para trás e renasci. Abri meus olhos tal como no dia do meu nascimento e me deslumbrei com os guizos e fitas coloridas que rodopiavam ao meu redor.Ao longe se escuta um violino e risadas.. uma festa começa.



Salamanca, Espanha






No céu, a Lua de Sangue me abençoava com fulgor vermelho, tal como era minhas saias
Meu primeiro impulso é o de ler a linha do horizonte e desvendar os mistérios que diziam além dos mares e montanhas.



O Amor é uma criança cigana, ele não conhece regras..










Raúl, o pequeno cigano, dança alegremente com Pandora, sua cadela protetora e toca seu violino convidando as pessoas a se encontrarem enquanto dançam, a extravasar tudo aquilo que esta reprimido dentro de si enquanto batem palmas e giram até cansar.

Por mais que se tente reprimir o amor, ele é inconstante tal como um pássaro selvagem e só pousa aonde lhe convém.






Ele não pertence a este lugar e por isso segue adiante pela, ainda que as pessoas não gostem dele, ele sempre terá pássaros ao seu redor e suas canções para alegra-lo.





Ele é a luz dos meus olhos e o refresco nos dias quentes de verão tórrido. A alegria inocente e o deslumbramento do novo







Ele é o novo. o amor novo.aonde eu me conheço e sigo adiante junto com ele dançado e brincando ao sons dos tamborins e violinos,



E eu, assim como ele

Não conheço regras






















Comentários

  1. Adorei, Katharina! E teve tudo a ver com o que conversei hoje com a minha mãe...depois te conto.
    Beijim

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