Meu eu selvagem...


Sempre me perguntei do porque de pintar cavalos por tantos anos... claro que tem a parte tecnica, afetiva( lembranças de uma infancia feliz quando meu pai me levava pra montar) mas agora vejo que é mais do que isso..


Eles, os cavalos sao uma parte de mim , meu eu selvagem...aquela parte que é doce e ao mesmo tempo indomavel...fortes e delicados ao mesmo tempo..

Quando conversava com minha querida amiga Maida Marciano, seu pai e Dirceu , o escultor que esta expondo junto comigo , eles comentaram isso.. e eu na epoca nao havia entendido perfeitamente


Há força e doçura neles..agora claramente vejo isso..

No entanto nao sinto mais o desejo de pinta-los, sínto que perdi algo em mim, sinto que as mudanças que ocorreram na minha vida foram mais profundas do que eu imaginava..


A força ficou... essa é necessaria para se seguir em frente, mas a doçura, essa...não sei aonde esta

não sei se esta..


E como adoro os textos de Clarice Lispector , aqui tem um que fala sobre isso.. ao que parece ela também tem um cavalo selvagem morando dentro dela..



"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem-pois nunca morou antes em ninguem nem jamais lhe puseram as redeas nem sela- apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo.."



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